Image Map S.O.S. Girls: Como começar a se aceitar e se amar? #1 #PapoDeAmiga

Como começar a se aceitar e se amar? #1 #PapoDeAmiga

13 maio 2015

     Olá meus amores e minhas amoras! Tudo bem por aí?
     Por aqui bateu uma onda de inspiração forte e vim colocar essas ideias para fora, para quem sabe ajudar uma miga daqui! Confesso que fiz um vídeo falando sobre tudo isso, e ficou pra lá de 30 minutos, e, apesar de ter muita coisa pra falar sobre esse assunto, 30 minutos não dá, né? Então, primeiro vim escrever (que é minha paixão) e depois irei falar mais sobre isso com vocês.


     Não podemos negar que ainda vivemos em uma sociedade cheia de padrões, certo? Se você acha que essa  "história de padrões" não existe, volte duas casas e pode fechar essa aba aqui! Esse texto não é pra você.
     Agora, falo com você, minha amiga, do outro lado da tela. Talvez você seja mais gorda, ou mais magra, ou negra, ou de cabelo crespo, ou tudo junto, e sabe que não se encaixa no padrão tão desejado. Ou você aí, que pode caber nesse padrão, mas está cansada de só enxergarem isso na sua pessoa.
      Nunca irei conseguir passar alguma lição que aprendi na vida sem contar minhas experiências, então vamos lá, pra mais uma história de vida da Lu...
       Eu SEMPRE estive fora do peso (exceto quando fiquei muito doente em algumas épocas da vida). Sempre fui mais "cheinha" (como diziam carinhosamente) do que as minhas amiguinhas do jardim de infância. Não conseguia fazer jazz muito bem, por causa do tamanho das minhas coxas. A meia calça que comprávamos paras as apresentações sempre rasgavam no meio das minhas pernas. O short da escola? Vish, tinha que ser renovado todo ano, pois a costura do bumbum iria ceder, mais cedo ou mais tarde.
      As blusas sempre rasgavam no ombro, pois os mesmo eram muitos grandes. Nunca encontrávamos roupas adequadas para o meu tipo de corpo. Meus sapatos sempre eram de um número muito grande e eram chatos para caber certinho. Fazer o quê? Eu nasci grande, era meu destino.
        Eu sempre comi de tudo, e nunca curti muito fast food nem besteiras. Nem biscoito recheado comia, muito mal salgadinhos que minha família fazia, pois todos eram cozinheiros. Ninguém entendia o porquê eu tinha que ser gorda. Por que meus pais não controlavam mais a minha alimentação? Por que não me proibiam de comer todo tipo de gordura e carboidrato? Por que eu não podia comer mais verduras do que já comia? Por que gorda aos 7 anos, oh céus, por quê?
       Parecia que ser gorda era o pior destino que eu podia ter. Todas a família estava fora do peso, e isso não podia ser meu destino, para eles simplesmente não podia!


      Então os vigilantes do peso começou pra mim. Foi uma verdadeira perturbação por toda a minha vida, desde a infância até aqui, a adolescência. Sair com a família era tipo "Lu, você está comendo muito doce, melhor parar." "Lili, você não pode comer como seus pais, para de comer tanta 'besteira'. "Lu, você precisa praticar algum esporte. Como assim você não gosta de nenhum esporte?! Tem que aprender a gostar!."
       Sem falar das comparações. Mas que mania chata essa de família querer comparar você com meio mundo? "Lu, sua amiga se alimenta tão bem, você devia fazer como ela." "Lu, você precisa emagrecer como aquela sua amiga." "Lu isso, Lu aquilo, Lu faz isso, Lu faz aquilo, blábláblá."
       Para alguns isso pode parecer normal, coisas de infância, mas tais atos não deveriam ser normais. Nenhuma criança deveria crescer escutando essas coisas. Um dia farei um vídeo só mostrando como os padrões da sociedade mexem com os psicológicos dos pequenos, mas já adianto a vocês: mexem, e muito.

       Cresci escutando que o que tinha na minha cabeça, o que eu era e o que eu queria ser não importavam muito, e sim a minha aparência devia ser o mais importante. Como eu era na frente das pessoas, como me comportava diante delas que deveria importar.
       Claro que uma hora eu fiquei paranoica, todas nós ficamos em algum momento da nossa vida, e isso também não deveria ser normal. Fomos ensinadas desde pequenas que nosso corpo não é perfeito e devemos fazer de tudo para que ele seja. Onde isso é normal?
        E aí chegou a fase dos namoradinhos. Que fase complicada ein gente? Eu nunca pirei muito com o meu corpo, como as outras meninas faziam. Nunca consegui seguir alguma dieta e nunca chorei por isso. Nunca tive bulimia, nem cheguei perto da anorexia, mas se eu falar que nunca liguei pra minha aparência é mentira. Fiz de tudo para me encaixar nos padrões possíveis para mim: alisei meu cabelo, neguei a minha raça, clareei minha pele como pude, comprei saltos altos, optei pelas roupas mais apertadas, comprei cintas e no final de tudo, me escondi numa máscara. Eu queria chamar a atenção das pessoas (e quem não quer?). Mas não pelo o que eu era, e sim pelo o que me foi imposto, o que me diziam que eu deveria ser.
       Um dos meus maiores sonhos, desde pequena, era ser cantora. E isso foi o que mais me magoou em toda a minha vida (e olhem que já passei por uns problemas que ó... só Jesus na causa). Eu queria ser famosa, queria ser conhecida. Queria cantar e dançar, ser rica, fazer novelas e viajar o mundo todo. Queria ter fãs. E esse sonho desmoronou quando eu percebi que não havia gente famosa como eu: gorda, negra, de cabelo "ruim" e pobre. Aí complicou, né?
       Eu queria fazer academia, mas não tinha dinheiro. Queria roupas bonitas (nunca liguei pra preço, mas eu queria ter algo pelo menos) e não pude também. Sempre a vida dizia um não e me senti encurralada por um bom tempo, sem saída.
       Comecei a namorar meu atual marido, e me descobri tímida pela primeira vez. Eu tinha vergonha do meu corpo, das minhas marcas, das estrias e celulites. Praia? Só de shorts e no máximo, maiô! Isso era no meu subconsciente, pois eu repetia para mim mesma "Eu não sou tímida, sou extrovertida e não tenho vergonha de nada!" Provei o contrário pra mim mesma quando não conseguia ficar seminua na frente de ninguém.

       Com o tempo, só engordei mais. Cheguei aos 90 quilos, jurando que nada daquilo me abalava, mas chorando para entrar na cinta, pra ter uma cintura perfeita pro vestido ficar lindo. Comecei a querer uma alimentação mais correta, aboli o refrigerante e preferi cortar o arroz e o feijão. Adorei essa fase, pois comia o que eu realmente gostava.
         Mas aí, chegou a hora de me pesar. Como assim ainda 90 quilos???????? Nem uma grama a menos? O que eu estava fazendo de errado?
      A resposta era: fingir que não me preocupava com isso e que estava comendo só para melhorar a alimentação.
       Então comecei a realmente me preocupar. Não conseguia dormir muito bem sem sutiã, pois meus seios são grandes e não são lá levantados, né? Não conseguia colocar um vestido ou uma blusa mais justa sem cinta. Arroz? Nem pensar!
       Meu marido foi percebendo tudo isso, e sem saber o que fazer, começou a exaltar todos os meus pontos positivos físicos. E foi aí que eu percebi algo muito importante: eu só tinha pontos positivos. Sim, minha barriga nada chapada era bonita SIM. Meus braços com estrias são bonitos SIM. Minha bunda toda furadinha de celulite era bonita SIM. Minha cor e meu cabelo crespo eram bonitos SIM. Então, abandonei a progressiva, as dietas malucas e os sucos detox. Comecei a me preocupar com o que era importante, o meu bem estar, a minha felicidade. Fugi dos padrões, e acima de tudo: me aceitei. Do jeitinho que vim, do jeitinho que o cara lá de cima quis, do jeito que eu deveria ser. De tanto dizer que eu não me importava qual a opinião alheia, passei a viver mais o que eu estava dizendo.
       E adiantou esse sofrimento todo? Adiantou. Pois se eu não tivesse alisado meu cabelo, tentado emagrecer e mudar o meu corpo eu nunca iria descobrir como era a sensação de se aceitar e se amar de verdade.

       Deixo claro que não sou contra a cirurgias plásticas nem nada derivado, só deixo um recado: primeiro, procure se aceitar, pra depois querer mudar. Mas isso é assunto pra outro post, que esse aqui já tá enorme, né migas? Desculpem, precisava desabafar!
       É claro que haverá dias onde vamos acordar nos odiando, e achando que somos as pessoas mais feias do mundo, isso também é normal. Mas o quanto antes você aprender a se amar, esses dias vão passar mais rápido e isso não vai mais te magoar tanto.
       Hoje, depois de tudo que passei em relação a estética, tento empoderar a todos, tentando passar essa lição pra frente, tentando mostrar que não tem sentido achar que estrias e celulites são feios. Não, não é esse papo de "toda mulher tem, qual o problema se eu tiver também?" Tô dizendo: duvide. Quem inventou que barriga chapada é bonito? Por que ser gorda é feio? Por que? Por que? Pergunte, aumente seu senso crítico e verás que realmente, não há sentido, não há um livro de regras e quem manda no seu corpo e na sua vida é você, exclusivamente você.






        Então é isso meus amores. Espero que gostem e espero ter ajudado alguém com isso. Um beijo e até a próxima!

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6 comentários:

  1. Adorei esse post linda.....
    Falou tudo temos que nos amar do que jeito que somos.
    Para sermos felizes.

    http://blogdajenny2014.blogspot.com.br/

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    1. Realmente, a beleza está em nós.
      Obrigada amor, um beijo!

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  2. Nossa luci, amei esse post, me identifiquei muito, quase chorei

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    1. Poxa Bruna, fico tão feliz que tenha gostado.. Chora de tristeza não, ta?
      Um beijo minha flor <3

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  3. Aii Luci, parece que as histórias se repetem sempre hein... Eu desde de sempre fui "cheinha" e já passei por altos e baixos até me encontrar e perceber assim como você que não temos esses defeitos que todos apontam. Nosso cabelo, nossa cor, nossas gordurinhas não nos fazem pessoas piores, JAMAIS. Hoje ando pensando em mudar alguns hábitos por saúde mesmo, mas opinião alheia não aceito mesmo.

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    1. É o que sistema faz, faz as histórias se repetirem... Mas ainda bem que nos tocamos cedo, né? O que podemos fazer agora é passar nossas histórias pra frente, empoderar mais gente... Isso é lindo mana! <3

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